Prática e consulta · Umbanda Sagrada
Firmezas e assentamentos
Firmezas e assentamentos participam da sustentação dos trabalhos religiosos e espirituais.

Sustentação e campo de trabalho
Firmezas e assentamentos participam da sustentação dos trabalhos religiosos e espirituais. Sua função envolve estabelecer relações com forças, hierarquias e campos de atuação. O conhecimento de seu fundamento é necessário para compreender o que se mantém e o que se ativa.
O assentamento é uma afixação de elementos consagrados, magnetizados e destinados a um ponto de força. Ele pode atuar como base de sustentação e como campo de absorção e encaminhamento de sobrecargas.
A firmeza se relaciona ao estabelecimento ou à ativação de uma sustentação para o trabalho. Pode integrar a organização de um assentamento ou relacionar-se a uma finalidade determinada. A diferença precisa ser compreendida pela função concreta, sem reduzir tudo à aparência do recipiente ou do objeto.
Consagração e identidade
Um elemento utilizado no assentamento recebe uma destinação religiosa. A consagração estabelece sua relação com a Divindade ou com o campo de trabalho correspondente.
A identidade do conjunto depende da coerência de seus elementos. Uma pedra, uma vela ou um recipiente isolado não constitui automaticamente um assentamento. A função se estabelece na relação entre o elemento, o poder ao qual é destinado e o fundamento da prática.
O conhecimento do nome de uma pedra também não informa tudo o que precisa ser feito. Sua utilização deve acompanhar as correspondências confirmadas, a finalidade e a orientação responsável.
Sintonia entre Orixá guia e médium
A sustentação exige sintonia entre Orixá, guia e médium. Esses três níveis participam de uma corrente de relações. O assentamento precisa corresponder ao campo do trabalho, em vez de reunir elementos de regências diferentes sem compreender sua ligação.
A filiação espiritual do médium e a função do guia não são informações intercambiáveis. Também é necessário distinguir a regência ancestral da regência de uma encarnação. A aplicação de cada relação depende do tipo de trabalho.
O conhecimento dessas diferenças evita que uma forma adequada a uma finalidade seja tomada como solução para todas. A composição precisa acompanhar a necessidade e a sustentação que se pretende estabelecer.
Sustentação coletiva e individual
Um templo possui campos de sustentação coletiva. O assentamento ligado à vida religiosa da casa participa da proteção e da organização de seus trabalhos.
Há também relações individuais dos médiuns e de seus guias. A integração à corrente precisa ser compreendida dentro da direção religiosa do templo, para que a participação individual encontre ligação com o conjunto.
Os assentamentos individuais podem variar conforme o médium e o trabalho. Essa particularidade impede transformá-los em uma montagem uniforme para qualquer leitor. O fundamento inclui relações que precisam ser conhecidas e acompanhadas.
Tronqueira e guarda
A tronqueira se relaciona à guarda do espaço religioso e à atuação de Exu. Sua preparação participa das condições para que os trabalhos transcorram com sustentação.
Na organização da tronqueira, há distinção entre o Exu guardião assentado e outros Exus firmados. O guardião assentado sustenta um campo específico; os demais trabalhadores podem ser firmados nessa organização, conservando suas ligações com outras regências e domínios.
Essa distinção se refere à função particular da tronqueira. Não equivale a tratar todos os pontos do templo como se fossem um único assentamento nem a eliminar as demais bases de sustentação religiosa da casa.
A relação com a guarda exige precisão. A simples multiplicação de objetos não amplia, por si, a sustentação do trabalho. A coerência do fundamento precisa orientar a composição.
Pontos de segurança e de descarga
Os pontos de segurança e de descarga participam da organização da assistência. Eles recebem e encaminham sobrecargas espirituais e energéticas que chegam ao terreiro.
Sua função é diferente da de um objeto utilizado apenas como representação devocional. A preparação e a ativação pertencem à condução de quem responde pela organização espiritual da casa.
O dirigente e seus auxiliares precisam compreender essa sustentação antes do início dos trabalhos. A atuação dos guias encontra apoio em um campo religioso preparado, e não apenas na disposição individual de quem incorpora.
Cuidado com a manutenção
A sustentação pede continuidade. O uso das velas, a ativação das firmezas e os cuidados com os elementos devem seguir a orientação recebida e a finalidade do conjunto.
Uma mudança de função ou de local não deve ser tratada como simples movimentação de objetos. O que se altera é também uma relação religiosa que exige entendimento.
O estudo das firmezas e dos assentamentos deve produzir responsabilidade. Conhecer sua existência e sua função ajuda a respeitar a condução da casa e a evitar improvisações que confundam devoção, instrumento e sustentação de trabalho.
Pontos-chave
- Firmezas e assentamentos participam da sustentação dos trabalhos religiosos e espirituais.
- Um elemento utilizado no assentamento recebe uma destinação religiosa.
- A sustentação exige sintonia entre Orixá, guia e médium.
- Um templo possui campos de sustentação coletiva.
- A tronqueira se relaciona à guarda do espaço religioso e à atuação de Exu.
Para refletir na vida e no terreiro
Retome a aplicação desenvolvida neste estudo: Cuidado com a manutenção.
Para aprofundar
- Espíritos Diversos; psicografia de Rubens Saraceni. Código de Umbanda. Temas de consulta: Sintonia do assentamento e definições ritualísticas.
- Rubens Saraceni. Os Arquétipos da Umbanda: as hierarquias espirituais dos Orixás. Temas de consulta: Os Trabalhos de Umbanda.
- Rubens Saraceni. Orixá Exu: fundamentação do mistério Exu na Umbanda. Temas de consulta: Por que Assentar o Exu Guardião.
Ponto de atenção ritual: a distinção entre um guardião assentado e outros firmados, em Orixá Exu, refere-se à organização da tronqueira. As referências a assentamentos coletivos e individuais em Código de Umbanda possuem outro âmbito de aplicação.