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Pemba e escrita simbólica

A pemba participa da escrita simbólica utilizada pelos guias na Umbanda.

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Pedaços de pemba branca sobre uma mesa de madeira
Imagem simbólica criada para este estudo; não é um registro da casa.

Uma linguagem de fundamentos

A pemba participa da escrita simbólica utilizada pelos guias na Umbanda. Símbolos, signos e pontos se relacionam a mistérios e a campos de atuação. Sua função pode envolver identificação religiosa, delimitação do espaço e realização de trabalhos dirigidos.

A escrita não é apenas um desenho que representa uma ideia. No uso religioso e magístico, ela integra uma relação com poderes e hierarquias. A compreensão pede atenção ao conjunto em que cada sinal é utilizado.

O Mistério das Sete Pembas Sagradas é regido por Oxalá e por uma Mãe Orixá cujo nome permanece reservado. Os demais Orixás guardam esse mistério e permitem que seus manifestadores recorram a ele para o serviço espiritual.

Identificação e trabalho

Um ponto pode identificar o campo de um guia, sua ligação com mistérios e a função de determinado trabalho. O nome simbólico e a escrita podem comunicar aspectos de uma mesma relação religiosa.

A identificação não deve ser reduzida a uma assinatura civil da entidade. Um nome de falange reúne trabalhadores, e os sinais precisam ser lidos dentro de seu campo. A interpretação de uma marca isolada pode deixar de reconhecer a finalidade do conjunto.

A escrita também pode servir à atuação magística. Nesse uso, os símbolos participam da organização de uma ação, como o recolhimento de imantações ou a sustentação de um campo determinado.

Cruzamento religioso

Cruzar uma imagem ou um terreiro pode estabelecer uma relação religiosa permanente com o mistério. A prática delimita e identifica um campo destinado ao culto e aos trabalhos da Umbanda.

O cruzamento de um médium pode marcar sua integração religiosa e a sustentação que passa a acompanhá-lo. A ação está ligada à função do guia e à condução da casa.

Em um atendimento dirigido a um consulente, os sinais podem cumprir outra finalidade, vinculada a uma intervenção transitória. O gesto exterior precisa ser compreendido pelo que realiza e pelo vínculo que estabelece.

Cor e função

A cor da pemba participa da regência e da frequência do trabalho. Um mesmo símbolo riscado com cores diferentes pode corresponder a atuações distintas. A cor não é apenas um acabamento da escrita.

No exemplo das pembas, o verde se relaciona a Oxóssi e o amarelo a Iansã. Caboclo Pemba Verde e Caboclo Pemba Amarela são identificações de campos ligados a essas irradiações. Esses exemplos não oferecem uma tabela automática para todas as velas, roupas, imagens ou práticas da casa.

Os Caboclos Sete Pembas se relacionam aos mistérios das diferentes cores dessa escrita. O nome expressa um campo iniciático de serviço, cuja compreensão exige mais do que reconhecer a aparência do desenho.

Ondas e organização da escrita

A escrita simbólica se relaciona às ondas vibratórias transportadoras de energias e fatores divinos. Seus modelos participam da formação de símbolos, signos e mandalas. A posição e a relação entre os elementos da escrita têm função no trabalho.

Essa linguagem pertence ao estudo religioso e magístico. O emprego de palavras como onda e frequência não transforma o ponto riscado em uma medição física. O sentido de cada termo precisa ser compreendido dentro do campo em que é utilizado.

A relação entre sinal e função impede interpretar a escrita apenas como ornamentação. Também impede supor que uma forma inventada pelo observador possua automaticamente a mesma atuação de um ponto de trabalho.

Guia mistério e diversidade de recursos

Um guia pode estar profundamente ligado a determinado mistério e utilizar apenas alguns pontos de escrita. Outro pode trabalhar de forma extensa com pemba. A diferença não estabelece, por si, maior ou menor capacidade de auxílio.

Há guias ligados aos mistérios das águas, das chamas e das ervas, entre outros. A diversidade de recursos permite que necessidades distintas sejam atendidas. O fundamento do serviço deve ser reconhecido sem exigir que todos trabalhem com o mesmo instrumento.

O médium precisa distinguir o estudo da escrita da tentativa de reproduzir por iniciativa própria uma atuação de guia. A compreensão da linguagem deve aumentar o respeito pelo trabalho e pela preparação exigida.

Estudo e aplicação

Estudar a pemba envolve reconhecer finalidade, regência, relação entre sinais e contexto de utilização. A forma correta faz parte dessa precisão, mas não substitui a vinculação ao mistério e a consagração correspondente.

No terreiro, a aplicação pertence ao trabalho conduzido pelos guias e à orientação religiosa da casa. O conhecimento do símbolo deve favorecer uma prática consciente, em que a escrita conserva sua função sagrada e sua ligação com o auxílio.

Pontos-chave

  • A pemba participa da escrita simbólica utilizada pelos guias na Umbanda.
  • Um ponto pode identificar o campo de um guia, sua ligação com mistérios e a função de determinado trabalho.
  • Cruzar uma imagem ou um terreiro pode estabelecer uma relação religiosa permanente com o mistério.
  • A cor da pemba participa da regência e da frequência do trabalho.
  • A escrita simbólica se relaciona às ondas vibratórias transportadoras de energias e fatores divinos.

Para aprofundar

  • Rubens Saraceni. Os Arquétipos da Umbanda: as hierarquias espirituais dos Orixás. Temas de consulta: Mistério das Sete Pembas Sagradas.
  • Rubens Saraceni. Iniciação à Escrita Mágica Divina: a magia simbólica dos Tronos de Deus. Temas de consulta: Apresentação e fundamentos da escrita mágica.
  • Rubens Saraceni. O Código da Escrita Mágica Simbólica. Temas de consulta: As Posições das Ondas Vibratórias no Círculo.
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