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Hierarquias divinas, naturais e espirituais

As hierarquias organizam funções e relações de sustentação na Criação.

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Folhas sobre círculos concêntricos na água
Imagem simbólica criada para este estudo; não é um registro da casa.

Uma organização de funções

As hierarquias organizam funções e relações de sustentação na Criação. Seu estudo permite distinguir o poder divino, os seres que atuam nos campos da natureza e os trabalhadores espirituais vinculados às linhas da Umbanda.

A organização não existe apenas para distribuir nomes. Cada nível possui natureza e campo próprios, e sua cooperação oferece condições para a vida, a evolução e o auxílio religioso.

Deus está na origem de todos os seres. A diversidade das condições de existência não elimina essa origem comum. Ela permite compreender por que a mesma Criação abriga funções distintas e complementares.

Hierarquias divinas

As hierarquias divinas têm sua base nos poderes que sustentam a Criação e seus processos. Os Orixás fatorais se relacionam ao primeiro plano da vida e à manifestação das qualidades divinas.

A Divindade possui uma função que não depende da trajetória de uma pessoa humana. Sua atuação sustenta campos e se projeta sobre os níveis em que os seres vivem e evoluem.

O campo de um Orixá se desdobra em relações e funções específicas. Os entrecruzamentos permitem distinguir atuações dentro de uma mesma irradiação. A multiplicidade de nomes e campos não deve ser confundida com vários poderes sem relação entre si.

Hierarquias naturais

As hierarquias naturais começam a formar-se no plano elemental. Seus seres se relacionam aos elementos, às composições de seus campos e às qualidades que recebem de suas regências.

A via natural possui condições próprias de amadurecimento. A experiência e a anciência participam da organização desses campos. A evolução pode ampliar as polaridades e as possibilidades de atuação do ser.

Há seres ligados a um elemento e outros vinculados a composições mais complexas. Cada ampliação de polaridade abre condições de experiência e de trabalho. A complexidade precisa ser compreendida como campo e função, sem servir a uma disputa humana de prestígio.

Divindade e manifestador natural

Os Orixás Divinos e os seres naturais de suas hierarquias precisam ser distinguidos. A Divindade manifesta o poder e a regência; o ser natural atua como seu manifestador em determinado campo.

Essa distinção esclarece a manifestação mediúnica. A incorporação de um ser natural ligado a um Orixá não significa que a totalidade da Divindade foi encerrada no corpo do médium. O poder divino possui alcance próprio e atua também por projeções e hierarquias.

Ogum, enquanto poder divino, e um Ogum Sete Espadas, enquanto manifestador natural de um mistério, pertencem a níveis relacionados e distintos. O mesmo cuidado deve acompanhar o estudo das demais regências.

Atuação e necessidade

As hierarquias naturais respondem aos pedidos dentro de uma ordenação. A necessidade, o merecimento e o aprendizado do ser participam dessa atuação.

O auxílio deve favorecer a solução de dificuldades com desenvolvimento de consciência. A intervenção não se limita a retirar um obstáculo enquanto o ser permanece sem compreender a própria participação no que vive.

Os procedimentos pertencem a campos regidos e organizados. O respeito aos pontos de força e às suas regências é uma consequência dessa compreensão.

Hierarquias espirituais

As hierarquias espirituais se relacionam aos trabalhadores que realizam o serviço mediúnico da Umbanda. Seu fundamento encontra sustentação nos poderes divinos e nos campos naturais.

Os guias se ligam a mistérios e assumem graus de trabalho. Caboclo, Preto Velho, Exu e outras identificações exprimem formas de serviço religioso, com posturas e campos próprios.

A consagração ao trabalho integra o espírito a uma corrente. A relação não é apenas individual entre entidade e médium: envolve a linha, seus fundamentos e a organização espiritual que sustenta sua atuação.

Quadro de relações

HierarquiaCampo principalRelação com o trabalho
DivinaQualidades e poderes sustentadores da Criação.Oferece regência e fundamento.
NaturalElementos, reinos e campos da natureza.Manifesta funções e forças vinculadas aos mistérios.
EspiritualTrabalhadores ligados às correntes de auxílio.Realiza o serviço mediúnico e a orientação espiritual.

A cooperação entre esses níveis permite compreender a amplitude do terreiro. O culto, a natureza e a manifestação dos guias participam de uma mesma experiência religiosa sem perder suas distinções.

Conhecimento e postura

A hierarquia espiritual deve ser compreendida pela responsabilidade e pela função. O nome de um grau não oferece ao médium um direito de superioridade pessoal sobre outras pessoas.

A maturidade aparece na capacidade de respeitar atribuições, cooperar com a corrente e utilizar o conhecimento para auxiliar. O estudo das hierarquias tem valor quando melhora essa participação e torna mais clara a relação entre os poderes que se cultuam e o serviço que se realiza.

Pontos-chave

  • As hierarquias organizam funções e relações de sustentação na Criação.
  • As hierarquias divinas têm sua base nos poderes que sustentam a Criação e seus processos.
  • As hierarquias naturais começam a formar-se no plano elemental.
  • Os Orixás Divinos e os seres naturais de suas hierarquias precisam ser distinguidos.
  • As hierarquias naturais respondem aos pedidos dentro de uma ordenação.

Para aprofundar

  • Rubens Saraceni. Os Arquétipos da Umbanda: as hierarquias espirituais dos Orixás. Temas de consulta: As Hierarquias dos Orixás e O Triângulo da Vida.
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